Desafio da rota Fonte da Pipa superado!

Em 2016 participei nesta conhecida prova do Campeonato Municipal de Torres Vedras, organizada pela Casa do Benfica de Torres. Nesse ano tinha feito muito poucas provas de estrada, ainda não estava habituada ao peso do alcatrão nas pernas.

A Rota fonte da pipa é uma prova com 12,300km, maioritariamente, em estrada e passa por 12 pontos em terras da zona Oeste. Nesse ano custou-me tudo. As longas subidas onde a saliva sabia a fel, o abdómen a explodir de esforço pela respiração forte e a quebra de ritmo porque tive de ir a caminhar nas subidas. Já não podia com as pernas, quando mais correr. Com esforço, uma pitada de motivação e vontade em acabar lá cheguei terminando com 1h:17m.

Este ano tive receio destes 12,300km no mesmo percurso, onde as subidas de alcatrão não me saiam da cabeça. E houve tanto que mudou ao longo deste ano. Mais treinos, mais provas do campeonato, mais trails , mais desafios, mais de tudo o que se pode ter num ano. Pelo menos vou com mais garra e segurança de mim mesma. Pela pouca experiência adquirida até então. Pelo conhecimento do meu corpo em esforços como este.

A equipa da Dolce Furadouro foi em peso. Adoro ver a equipa amarela e sorridente com tantos atletas a participar numa prova. Depois de 5m da hora destinada lá oiço o apito da partida e vamos lá dar corda às sapatinhas. Vamos dar o nosso melhor para terminarmos da melhor forma.

Pensamento positivo!

Eu só pensava para mim, “não posso parar nas subidas, tenho de aguentar nem que seja com um passo mais lento”. Começo a subir e a deixar de lado tudo aquilo que a cabeça quer mostrar em dias de desafio. Consegui abstrair-me desses pensamentos e de tudo o resto e dediquei-me à corrida. Prestar a tenção à postura, respeitar o meu esforço, sentir a minha respiração, controlar o esforço físico inicial para aguentar de forma equilibrada até ao fim.

Entreguei-me por completo ao desafio! Com consciência de tudo o que tenho aprendido de mim e do meu comportamento em provas. Posso partilhar que depois dos 5km e depois de ver o inicio do estradão eu pensei. “Agora estou mais na minha praia, vamos lá!”. Estava tão bem disposta que começo a esquecer do cansaço acumulado e solto a passada para diminuir o ritmo de corrida.

Dei tudo o que havia em mim para chegar ao fim. Consegui aguentar-me até ao fim com uma chegada em grande e com um sprint final na meta. Desculpem, mas começo a perceber que me faz alguma comichão quando alguém a 50m da meta se junta a mim.

É como uma descarga de adrenalina que percorre o corpo e as pernas ganham vida enquanto a cabeça pensa que ninguém pode passar agora porque é o meu momento de glória! Assim termino com um tempo de 1h e 14m e com um ritmo mais que certinho de 6min/km.

E nem vos digo o que sinto quando oiço o grito da minha princesa a dizer o meu nome e a dar força. É algo inacreditavelmente mágico que não se descreve. E assim vejo que ao fim de um ano, com muitas lutas e aventuras consigo ver realmente que a dedicação e os treinos começam a dar frutos. Um progresso lento, mas com muita dedicação. Sempre! Obrigada à minha equipa Dolce Furadouro e a todos os que me apoiaram.